Estão podres as palavras — de passarem por sórdidas mentiras de canalhas que as usam ao revés como o carácter deles. E podres de sonâmbulos os povos ante a maldade à solta de que vivem a paz quotidiana da injustiça. Usá-las puras — como serão puras, se caem no silêncio em que os mais puros não sabem já onde a limpeza acaba e a corrupção começa? Como serão puras se logo a infâmia as cobre de seu cuspo? Estão podres: e com elas apodrece o mundo e se dissolve em lama a criação do homem que só persiste em todos livremente onde as palavras fiquem como torres erguidas sexo de homens entre o céu e a terra.